Em contraciclo com a tendência regional, a ilha do Pico está a registar um aumento gradual de visitantes durante a presente época alta.
Apesar dos números, os empresários fazem um balanço contido, devido às alterações nos hábitos dos visitantes que, por exemplo, começaram a optar por confeccionar as suas próprias refeições nos seus alojamentos, devido ao aumento dos custos.
Assim sendo, de um lado a restauração é o setor mais penalizado, mas por outro, as superfícies comerciais viram as vendas aumentar.
Apesar destas mudanças, as quebras não são sentidas de igual forma, mas o que mais preocupa os empresários são as acessibilidades aéreas. A imprevisibilidade das ligações e o custo das viagens podem ter consequências no futuro.
Rui Lima (ACIP) - "O problema do Pico não é o problema dos Açores, não é? São Miguel e a Terceira sentem de uma forma diferente, o Governo sente ainda de outra forma diferente, tem que resolver o problema da SATA, mas isso depois é uma bola de neve, não é? Nós temos 3 ou 4 Dash 400, mais o 200, que fazem quase 20 horas sobre 20 horas. E acho que toda a gente tem essa percepção, acho que é um esforço enorme da companhia, dos funcionários, mas que tem que ser resolvido a curto prazo. E é o que nós pedimos: previsibilidade nas acessibilidades."
Para além das dificuldades em garantir que os visitantes cheguem à ilha, a escassez de mão de obra está a colocar as empresas sob forte pressão.
Fernando Ferreira (empresário): "Neste momento estamos muito fortes, completamente fortes. Pena não termos condições para fazer mais porque não conseguimos, não temos mão de obra e nós próprios já trabalhamos 14, 15, 16 horas por dia. Nós, patrões, pessoas que trabalhamos aqui, não conseguimos de modo algum.
Estou com um bocadinho de receio porque isto, neste momento, está muito bom. Começou mal, neste momento está bastante forte. Sinto um bocado de tristeza nas pessoas da maneira como elas dizem que não são bem atendidas, os horários não coincidem com o que as pessoas... E nós temos pena, mas não conseguimos estar tanta hora aqui, não é? Temos o nosso descanso, temos a nossa vida, não dá para estar tanta hora aqui, é pena.
Estou com um bocadinho de receio que nos próximos anos isto se vá refletir e as pessoas mudem de rota, porque é pena, realmente é pena. Nós temos as condições todas a nível paisagístico, a nível de tudo, divertimentos; não temos realmente é a mão de obra. E nota-se de ano para ano, cada vez essa situação a agravar-se mais."
Apesar de o Pico continuar a atrair turistas e a resistir à quebra geral registada no arquipélago, os empresários alertam que a sustentabilidade e a qualidade do destino podem ficar comprometidas nos próximos anos.
