O Núcleo Regional dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro (NRA LPCC) inaugurou, na passada semana, o Gabinete de Apoio de Voluntariado da Ilha do Pico, instalado no Centro de Saúde da Madalena.
Para Cátia Salvador, Presidente da Administração da USIP, uma Unidade de Saúde não se pode limitar a prestar cuidados de saúde, tem também de ser uma instituição próxima das pessoas.
Cátia Salvador: "E é isso hoje que aqui estamos a fazer. A abertura deste gabinete representa muito mais do que disponibilizar um espaço físico. Representa uma porta aberta. Uma porta aberta para quem precisa de ser ouvido, a quem procura orientação e a quem, num momento particularmente difícil da sua vida, precisa de sentir que não está sozinho. Representa também o nosso compromisso com a população da Ilha do Pico e, em particular, com aqueles que atravessam momentos de maior vulnerabilidade. E há algo que eu gostaria particularmente de sublinhar neste dia: quando falamos em situações de doença e de fragilidade, não estamos a falar de realidades distantes. Todos nós, de uma forma ou de outra, já fomos confrontados com situações difíceis, seja através de um familiar, de um amigo, de um vizinho ou de um colega de trabalho. Todos conhecemos histórias de coragem, de luta, de superação e, infelizmente, também de perda. Por isso, quando falamos da importância de apoiar quem mais precisa, estamos a falar, na verdade, de todos nós. Porque hoje podemos estar deste lado a ajudar, mas não sabemos o dia de amanhã, e amanhã podemos ser nós a precisar de ajuda. E esta consciência deve acompanhar-nos sempre."
Segundo a responsável, o Pico tem demonstrado uma grande capacidade de entreajuda, que aliada às capacidades dos técnicos de saúde, permitem a criação de espaços como este, onde o voluntariado assume uma importância extraordinária.
Cátia Salvador: "Acredito que, na Ilha do Pico, ao longo destes anos, temos demonstrado uma enorme capacidade de entreajuda. Vivemos numa comunidade onde ainda conhecemos os nossos vizinhos, onde nos preocupamos uns com os outros e onde a solidariedade continua a ter um papel e um significado muito especial. E, neste contexto, o papel dos voluntários é absolutamente insubstituível.
Os profissionais de saúde têm competências técnicas, conhecimentos científicos e responsabilidades clínicas fundamentais, mas há dimensões do cuidado que se constroem também através da presença, da escuta, da companhia e da empatia. E é precisamente aí que o voluntariado assume esta importância extraordinária.
Às vezes, um gesto simples, uma conversa ou alguém que se disponibiliza para ouvir pode fazer uma diferença imensa na vida de quem está a passar por um momento difícil."
Segundo Domingos Cunha, Presidente do Núcleo Regional da Liga Portuguesa contra o Cancro, este é o primeiro gabinete de apoio ao voluntariado criado na Região, num ano em que se comemora 60 anos de existência do Núcleo nos Açores.
Domingos Cunha: "Apraz-me participar nesta inauguração num ano em que a Liga Portuguesa Contra o Cancro comemora 85 anos de existência, e o Núcleo dos Açores comemora 60 anos. Todos eles dedicados ao apoio ao doente oncológico, às suas famílias e cuidadores, tendo como fundamento a solidariedade e a humanização.
É o primeiro gabinete de apoio de voluntariado que criamos na região, e acreditamos que a sua criação representa um esforço permanente e estruturante da Liga Portuguesa Contra o Cancro nesta ilha. Permite aproximar a instituição da comunidade e constitui um meio de resposta concreta aos doentes oncológicos e suas famílias.
Se contabilizarmos apenas os anos de 2024, 2025 e até 30 de setembro deste ano (nacionalmente), o número de doentes apoiados na Ilha do Pico foi de 116, e o número de apoios prestados foram 221. Mas acreditamos que hajam muitos mais doentes."
