Os “Baleeiros nos Traióis”, é o mais recente livro de Aurélio Machado. A obra foi lançada na passada semana no Museu dos Baleeiros, inserida no programa da Semana dos Baleeiros.
A obra apresentada por Sidónio Bettencourt, retrata memórias como o processamento das baleias nos traiós do Caneiro, e explicar como se transformava baleeias em escudos.
"Então a minha preocupação era esta: se as pessoas iam à baleia para ter um complemento remuneratório para a sua família, não podia ser só porque gostavam. Então, se não era, tinha que se explicar como é que o dinheiro chegava às pessoas. Foi esse o meu trabalho, tentar mostrar como é que naquele período, que era mais difícil e menos documentado, transformava baleias em escudos."
O autor recorda nesta obra a dureza desta atividade que era realizada naqueles traios, que começava no mar e acaba quando o último caldeirão era silenciado e a última barrica deixava de rolar.
"Eu quis que fosse documentado com detalhe todas as tarefas que envolviam os baleeiros, e mostrar o duro que era essa atividade. Portanto, só podia ser um sacrifício, porque os baleeiros que estavam a derreter nos traiós diziam que preferiam ir à baleia do que continuar a derreter. "
Aurélio Machado deixou ainda apelos à sociedade e às entidades responsáveis, defendendo dar vida aos instrumentos de manuseamento dos cachalotes e dar mais informações sobre as antigas ruinas da estação baleeira, mostrando-se disponível para o efeito.
Apelo a duas coisas. Uma é um conjunto de instrumentos que estão aqui à nossa retaguarda, que são associados à transformação, ao processamento manual do cachalote, tentar dar-lhe vida. A outra que me parece importante é divulgar aquilo que foi uma estação baleeira. Essa informação podia ser interativa, podia ser temporária (no verão), mas são duas coisas que eu estou disposto a ajudar se as entidades respetivamente responsáveis por uma coisa e para outra o quiserem fazer.”
